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1.11.10

USF Kosmus suspensa… Por falta de mobilidade


http://www.jmfamilia.com/index.php?option=com_content&task=view&id=1243&Itemid=27

USF Kosmus suspensa… Por falta de mobilidade

Escrito por Tiago Reis, em 25-10-2010 18:15


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A Unidade de Saúde Familiar Kosmus, a instalar na Parede e integrada no agrupamento de centros de saúde de Cascais, já possui todas as condições para iniciar actividade. O espaço foi renovado (com um custo avaliado de quase meio milhão de euros), o equipamento entregue, os profissionais estão organizados para a missão e há parecer técnico favorável da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, desde Dezembro de 2009. Só falta mesmo... A aprovação da mobilidade de duas médicas que trabalham em Rio de Mouro, sem as quais a unidade não sobrevive. Uma aprovação que teima em não chegar

Nos corredores da Unidade de Saúde Familiar (USF) Kosmus, reina o silêncio e salta a vista um cenário de inércia. Logo ao lado, no centro de saúde, encontramos alguns dos mais de 30 mil utentes sem médico atribuído que recorrem a consultas do dia. Muitos deles já poderiam estar integrados nas listas da Kosmus - que arrancará com um ficheiro global de 8500 utentes -, caso o projecto não estivesse parado e a aguardar pela autorização de mobilidade de duas médicas de família (MF) que actualmente trabalham no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Algueirão/Rio de Mouro.

A unidade congrega cinco MF (em fase posterior, está planeada a incorporação de mais duas clínicas) e nasceu da vontade de um grupo de ex-internas da especialidade - quase todas formadas no ACES de Cascais, que apresentaram candidatura electrónica em Junho de 2009. A equipa obteve um parecer técnico positivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) em Dezembro do ano passado. Foram gastos perto de 490 mil euros na requalificação de instalações da Parede (com melhorias, não só nas alas a ocupar pela Kosmus, como também na capela adjacente), recebidos equipamentos no valor de 90 mil euros e reunidas todas as condições técnicas, logísticas e humanas para acolher os doentes, a partir de Setembro. Todavia, tal não aconteceu porque a coordenadora, Ana Palma Rosa, e uma outra colega, ainda não receberam aval da ARSLVT para a sua mobilidade (estão ambas vinculadas, após conclusão da especialidade, ao ACES de Algueirão/Rio de Mouro).

Segundo conseguimos apurar, o pedido de mobilidade recebeu, inclusive, parecer negativo por parte do director executivo do ACES de Algueirão/Rio de Mouro, Fernando Santos, com a justificação de que aquela estrutura não poderia dispensar médicos, numa época de enormes carências.

Situação transitória que se prolonga... para além do desejável

A equipa da Kosmus redigiu uma carta conjunta, enviada a 12 de Agosto de 2010 ao conselho directivo da ARSLVT, com conhecimento para o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, respectivos ACES envolvidos e coordenador do Grupo Estratégico para a Reforma dos CSP, missiva na qual se reforçava a importância de se concretizarem as mobilidades dos dois elementos, a bem da população da Parede. Após esta iniciativa, Ana Palma Rosa foi informada pelos serviços da ARS de que o seu pedido de mobilidade (remetido em finais de Junho deste ano) nem sequer chegara ao departamento de recursos humanos, pelo que enviou segunda e posteriormente terceira via do mencionado pedido, a 31 de Agosto e a 2 de Setembro. "Todo este processo me pareceu muito estranho, até surreal", confidenciou a MF ao nosso jornal.

nacional_usf_kosmos_01.jpgDe acordo com Ana Palma Rosa, é "natural que existam pressões por parte das diversas direcções executivas de ACES, no sentido de chamar a si médicos que venham suprir as necessidades de utentes sem médico assistente"... Agora, já é menos compreensível que se coloque em banho-maria um projecto que dará médico a mais de oito mil utentes (que passarão a 11 mil e seiscentos, quando a USF for alvo de alargamento) e que foi desenhado com conta, peso e medida. "No momento em que assinámos contrato - em Julho - e em reunião de apresentação ao director executivo do ACES de Algueirão/Rio de Mouro, expusemos desde logo a nossa intenção de apresentar pedido de mobilidade para a nossa USF, cuja candidatura já fora aprovada", acrescenta a coordenadora. Entretanto, apesar de estar na posse de todos estes elementos, a gestão do ACES de Algueirão foi nos últimos meses constituindo listas para as duas médicas que integram o projecto da Kosmus (listas que atingem as 1400 pessoas), atribuindo-lhes famílias pelas quais não se poderão responsabilizar no futuro. "Quando as pessoas me perguntam se é desta que vão ficar com um MF (neste caso eu), sou-lhes franca e digo-lhes que tenho um pedido de transferência em curso, para um projecto ao qual gostaria de voltar. Quando não perguntam, omito a informação, porque não vale a pena frustrar expectativas", confessa a médica de família.

Dedicação a um sonho com dois anos

Para já e enquanto aguardam pela mobilidade das duas médicas colocadas em Rio de Mouro, as restantes três colegas localizadas na Parede continuam a ver doentes sem médico atribuído. "Estamos colocadas como assistentes de Medicina Geral e Familiar, mas a ver utentes sem médico", lamenta a MF Catarina Castro. A equipa teme também que, em relação aos dois elementos que darão forma ao alargamento da USF Kosmus, mais tarde, se coloquem entraves. Uma dessas MF já viu, aliás, indeferido pedido de mobilidade a partir do ACES Oeste Sul.

Do ponto de vista pessoal, Ana Palma Rosa não esconde o transtorno que toda esta situação lhe provoca, até pelo grau de envolvimento que tem tido com o projecto: "tudo isto me toca de forma muito profunda, porque são dois anos de investimento profissional e, acima de tudo, pessoal. Durante os anos em que a candidatura correu, passei por uma gravidez e por uma licença de maternidade. Andei com a criança ao colo pelas reuniões e trazia-a até para as vistorias de obra. Enquanto coordenadora - e apesar de estar longe da Parede e dos acontecimentos - continuo a envolver-me o mais que posso".

O compromisso da equipa da Kosmus com o seu projecto não está, todavia, em causa. De tal forma que, quando as estruturas da ARSLVT sugeriram uma contra-proposta ao grupo (que passava por abrir a USF em Rio de Mouro, onde encontraria viabilidade instantânea), as médicas da Kosmus recusaram a alternativa. "Fomos, sempre, fiéis ao desafio inicial. Mesmo quando surgiram contrariedades e quando cada uma de nós recebeu convites para aderir a outras USF", conclui Ana Palma Rosa.

ARS aceitará mobilidades, uma vez instalado contingente estrangeiro de reforço

Contactado pelo Médico de Família, o vice-presidente da ARSLVT, Luís Afonso, reconheceu estar ao corrente da situação vivida na Kosmus, afirmando que os problemas relatados devem ser lidos num contexto mais amplo: "a carência de médicos que a ARSLVT atravessa não permite fazer as mobilidades livremente, como eu gostaria de as fazer. As duas médicas em causa foram colocadas num ACES (Algueirão/Rio de Mouro) em que existe um total de sete médicos a solicitar no presente mobilidade para a Parede, Colares, Cacém ou Amadora. Ou seja, embora estejamos totalmente empenhados na reforma e na abertura de novas USF, o conselho directivo não pode deixar cair as UCSP, desfalcar serviços. É preciso recordar que, a determinado momento, não tínhamos um único médico do quadro na instituição de Rio de Mouro e que é necessário proteger aquela população". O dirigente assegura que as dificuldades relacionadas com a escassez de MF na região de Lisboa são conhecidas de Manuel Pizarro e de Ana Jorge e que o Ministério da Saúde poderá contornar parte do problema a breve trecho, através de um apoio externo: "estamos a aguardar que cheguem a Portugal médicos recrutados no estrangeiro. A nossa expectativa é que possam ser integrados já em Novembro. Segue-se um breve período, de uma ou duas semanas, para passagem de serviço e processos de integração local. Logo após essa etapa, daremos seguimento imediato às mobilidades de médicos que vão constituir novas USF ou completar unidades já existentes. Ou seja, não há dúvidas de que a Kosmus será uma realidade!".

Luís Afonso explica que o elevado número de pedidos de aposentação verificados na ARSLVT, entre Julho de 2009 e de 2010, está na origem de muitas das actuais dificuldades: "o conjunto de profissionais que estão em carteira para serem aposentados não se compadece com o meu desejo, natural, de abrir mais USF. Neste momento, tenho de gerir meios escassos, de forma a conseguir dar equilíbrio aos diversos pontos da Região de Saúde. É preciso também entender que estamos a falar de um ACES (Cascais) onde já existe um número substancial de USF, facto que dá alguma protecção à população residente".

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1 comentário:

Lúcia Ribau disse...

um apoio substancial????
mais de 40 mil utentes sem médico de familia somente nas Freguesias da Parede, São Domingos de Rana sem falar em Carcavelos onde a população tem de se deslocar à UCSP da PArede as 8 da manhã para conseguir uma vaga para consulta do dia e muitos ficam sem esta consulta por não haver condições de atender a tanta procura!!

absurdo