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19.4.11

Assédio Moral no trabalho


Proteja-se do chefe tirano

por Ana Maria, para De Mulher para Mulher

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O medo de perder o emprego muitas vezes faz com que as pessoas

se submetam a situações constrangedoras. As mulheres costumam ser

as maiores vítimas desse tipo de pressão.

Perceba se você está sofrendo assédio moral através dos seguintes sinais:

seu chefe vive dizendo que você é incompetente? Sente-se isolada no ambiente

de trabalho e pressionada a pedir as contas? É freqüentemente ridicularizada

ou discriminada por causa de seu peso, origem, cor, estatura ou opção sexual?

Esforça-se para realizar um excelente trabalho, mas é seu superior quem

sempre colhe os louros?

Segundo Margarida Barreto, médica do trabalho e pesquisadora da

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, os ‘’torturadores’’ são chefes

que abusam do poder que têm. Por meio de atos desleais e constrangedores,

ordens arbitrárias e palavras de humilhação, eles aniquilam a saúde física

e mental dos funcionários. ‘’Os alvos escolhidos costumam ser os que não

fazem corpo mole’’, afirma Margarida.

Estão no grupo de risco principalmente as mulheres, profissionais de

personalidade forte, que não aceitam facilmente ser pressionadas e exploradas;

os que retornaram ao emprego depois de um afastamento por motivo de doença

; os com mais de 35 anos que ganham melhor, além de mães de filhos pequenos.

No Brasil, estima-se que o índice de assédio moral seja de 35%.

Num outro estudo, coordenado por Margarida, com 97 grandes empresas de

São Paulo, os números são ainda mais alarmantes — de 2 072 profissionais

entrevistados, 42% apresentaram histórias de humilhação contínua no trabalho.

Desses, 65% são mulheres.

A doutora da PUC foi mais fundo, ao levantar como cada sexo reage a esse

tipo de opressão. Descobriu, por exemplo, que elas são menos vingativas e

perdem a libido; já eles tendem à depressão e pensam em suicídio.

O estrago psicológico é tão grande quanto o físico. ‘’É freqüente sofrerem distúrbios

do sono, hipertensão, taquicardia, gastrite, má digestão e dores de cabeça’’,

explica Margarida.

O perfil dos chefes-problema

Pit bull
É agressivo, perverso e faz cena na frente de todos porque precisa
de platéia para saciar seu ego. Demite friamente, quase sempre por prazer.

Profeta
Ele se acha o salvador-da-pátria, aquele que vai tirar a empresa da crise.
Intimida e humilha em particular, porém conta vantagens em público.

Troglodita
Não admite ser contrariado e cria regras difíceis de serem seguidas pelos
funcionários, para mostrar que é ele quem manda.

Tigrão
No fundo, é um inseguro. Abusa de atitudes grosseiras, dá ordens
contraditórias e espalha o medo em sua equipe.

Grande irmão
Finge ser compreensivo, mas, na primeira oportunidade, usa as fraquezas
das pessoas para destruí-las e jogá-las uma contra a outra.

Como se defender do chefe agressor

1. Não fale sobre sua vida pessoal no trabalho.

2. Defenda-se das críticas com calma e racionalidade.

3. Não demonstre ao seu assediador que você ficou abalada. É isso o que ele quer.

4. Esteja sempre disposta para o trabalho, mas diga não quando se sentir
explorada.
5. Em vez de se culpar e se desvalorizar porque tem dificuldades profissionais
,
passe uma imagem de confiança.

6. Estabeleça vínculos amistosos com os colegas.

7. Se precisar sair de licença médica, preencha a comunicação de acidente de

trabalho e indique a causa real: opressão do chefe.

8. Caso as humilhações ultrapassem um limite suportável, dê visibilidade ao

assédio moral.

9. Anote todas as atitudes desrespeitosas de seu chefe com data, hora e

nome de testemunhas. De posse dos documentos, procure ajuda no departamento

de recursos humanos da empresa.

10. “Antes de querer pedir demissão, saiba que você tem a seu favor o fato

de as empresas estarem atentas a esse tipo de abuso”, diz Iêda Novais.

“Com a atual situação de desemprego, peça as contas só depois de ter

arranjado outra colocação”.


11. Saiba discernir uma brincadeira de desrespeito, uma bronca eventual
de perseguição.

Por que os agressores agem assim

O perfil de quem assedia é familiar. ‘’São pessoas neuróticas, perversas ou

apavoradas com a possibilidade de que seus superiores percebam sua

incompetência e insegurança’', define Margarida.

Muitas delas são pressionadas pela direção da empresa para que sua equipe

cumpra metas e, como carecem de liderança, usam a estratégia de

rebaixar os subordinados para forçar um aumento de produtividade.

O agressor pode ainda ter o interesse sórdido de travar uma queda-de-braço

com sua vítima, para que ela desista do emprego – é que demiti-la custará mais

caro para a empresa –, porque não foi com a cara dela ou arrependeu-se

de tê-la contratado, de acordo com Iêda Novais, presidente da

Mariaca & Associates, empresa de gestão de capital humano.

Uma das maiores dificuldades que enfrentam os profissionais que
sofrem de assédio moral no trabalho é a falta de uma legislação que
puna os culpados. Mas o panorama está mudando. Começam a pipocar
leis municipais abrangendo o funcionalismo público. A primeira
no Brasil é a de Iracemápolis, no interior paulista, promulgada
em abril deste ano.
Há projetos de lei aguardando aprovação em várias cidades brasileiras,
inclusive na capital paulista, além de um específico para os
funcionários públicos federais. ‘’Existe ainda a opção de a vítima entrar
com uma ação por danos morais’’, esclarece Margarida.

Assédio moral.

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